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Cinco dias pela Transilvânia de comboio: de Cluj a Bucareste sem carro
Cinco dias de Cluj-Napoca a Bucareste, de comboio: mina de sal, cidadela medieval viva e cristas dos Cárpatos — rota fresca de julho, bem mais barata que o Mediterrâneo.
Na terceira semana de julho, o Sul da Europa já deixou de ser opção para uma semana barata. Sevilha e Atenas rondam os 40 °C, o Adriático está lotado e todas as cidades costeiras entre Lisboa e Split duplicaram os preços por causa das férias escolares. A Transilvânia tem um julho diferente. Os vales aquecem, mas as cidades ficam a uma altitude suficiente para arrefecer depois do anoitecer, as montanhas por trás mantêm-se verdes todo o verão, e continua a ser um dos cantos mais baratos da UE para passar cinco dias.
Esta é uma rota só de ida, sem voltar atrás: voa-se até Cluj-Napoca, desce-se para sul de comboio passando por Sighișoara e Brașov, e regressa-se a casa a partir de Bucareste. Sem carro alugado, sem bagagem de porão, quatro noites de cama.
Porque é que esta rota resulta agora
- A altitude faz de ar condicionado. Brașov fica a cerca de 600 m, com o maciço do Postăvarul mesmo atrás, e Poiana Brașov — um pouco mais acima, a uma curta viagem de autocarro — está acima dos 1000 m. As tardes são quentes; as noites arrefecem mesmo.
- A Roménia está na UE mas não na zona euro. Paga-se em lei, a cerca de 5 lei por €1, e os preços refletem isso: um bom prato de comida em Brașov custa o que custam um café e um pastel no Porto.
- Schengen já está tratado. As fronteiras aéreas e marítimas da Roménia aderiram em março de 2024, e as terrestres a 1 de janeiro de 2025, pelo que chegar de outro país Schengen significa não haver fila de passaportes em nenhuma das pontas.
- As multidões são nacionais, não internacionais. Sighișoara e Bran enchem-se a meio do dia; em quase todo o resto do percurso chega-se antes das excursões de autocarro às 9h.
Como reservar: dois bilhetes só de ida, três aeroportos
Não reserve ida e volta. Reserve dois bilhetes separados só de ida — um até Cluj-Napoca (CLJ) e outro a partir de Bucareste — que nas companhias low-cost costuma sair pelo mesmo preço ou mais barato do que uma ida e volta, e poupa um dia desperdiçado a refazer o caminho. Cluj é uma base low-cost a sério, com boa cobertura da Europa Ocidental, e Bucareste tem ligações a partir de quase toda a Europa.
Duas coisas a verificar antes de pagar. Bucareste tem dois aeroportos comerciais, por isso confirme qual deles consta mesmo no seu bilhete e planeie o transfer a partir desse. E o próprio aeroporto de Brașov, em Ghimbav, abriu em 2022 com uma rede de rotas ainda reduzida — se por acaso houver voo para lá a partir da sua cidade, pode encurtar este itinerário em um dia de viagem.
Custos aproximados por pessoa, com reserva feita cerca de dois meses antes:
| Item | Custo típico |
|---|---|
| Dois voos low-cost só de ida | €60–130 |
| Comboios: Cluj → Sighișoara → Brașov → Bucareste | €25–35 |
| Quatro noites, quarto privado numa pensão | €140–200 |
| Comida e café, cinco dias | €75–110 |
| Entradas, teleférico, autocarros locais | €35–50 |
Dia 1 — Cluj-Napoca: aterragem e a colina por cima da cidade
Um autocarro urbano liga o terminal ao centro por uns lei; compre o bilhete antes de embarcar, no quiosque ou na aplicação, porque há fiscalização. Largue a mala e vá a pé até à Piața Unirii, onde a Igreja de São Miguel — uma peça gótica dos séculos XIV-XV, grande, sóbria e imponente — ocupa a maior parte da praça.
Cluj é uma cidade universitária com bem mais de 300 000 habitantes, o que faz com que no final de julho esteja estranhamente calma: os estudantes já foram embora, as esplanadas estão meio vazias e a cidade velha pode ser explorada com calma. Passe a tarde na Strada Potaissa e à volta da Praça do Museu, e suba depois a colina de Cetățuia na última hora de luz. São quinze minutos suados a subir, e lá de cima vê-se a cidade inteira, torres de igrejas e prédios lado a lado.
Uma data a ter em conta: o enorme festival de música eletrónica que toma conta de Cluj no início de agosto faz disparar o preço de todas as camas da cidade. Se as suas datas ficarem perto disso, reserve o alojamento no mesmo dia em que reservar os voos.
Dia 2 — 120 metros debaixo de Turda
A melhor coisa a fazer durante uma onda de calor na Roménia é ir para debaixo da terra. A Salina Turda, uma antiga mina de sal a cerca de 30 km de Cluj, mantém-se a uma temperatura constante de 11–12 °C o ano inteiro, e foi equipada com uma roda gigante, um lago com barcos e um mini-golfe dentro de câmaras do tamanho de catedrais. É estranho e genuinamente espetacular. A história da mina remonta à Idade Média; o parque de diversões é um acrescento muito recente.
Há micro-autocarros para Turda a partir das estações rodoviárias da cidade ao longo do dia, a viagem demora cerca de 45 minutos e custa uns poucos euros. A entrada ronda os 50 lei — confirme o preço atual, pois tem subido de forma constante. Leve uma camada quente: 12 °C depois de uma manhã a 33 °C parecem o Ártico.
Se ainda tiver pernas à tarde, o Cheile Turzii — um desfiladeiro de calcário com um trilho marcado e um sistema de passadiços de madeira — fica perto, dá para umas duas horas de caminhada e é uma alternativa razoável a um segundo dia de cidade.
Dia 3 — O comboio lento até Sighișoara
Apanhe um comboio matinal para sul. De Cluj a Sighișoara são cerca de quatro horas num serviço InterRegio, a segunda classe é perfeitamente confortável, e o bilhete costuma andar entre os 40 e os 60 lei. Compre no balcão da estação no dia anterior, ou consulte horários e preços com antecedência na CFR Călători. A linha atravessa o planalto da Transilvânia: fardos de feno, colinas, torres de igrejas fortificadas a surgir por cima das aldeias.
A cidadela de Sighișoara é uma vila medieval classificada pela UNESCO onde ainda se vive — não é uma casca preservada, mas sim uma colina de casas tortas, em tons de ocre e rosa, com uma estação de correios em funcionamento. Suba à Torre do Relógio para a vista sobre os telhados de telha, e depois siga pela escadaria de madeira coberta (um túnel longo e escuro, com 175 degraus, construído para as crianças conseguirem subir a colina no inverno) até à Igreja da Colina e ao cemitério germânico-saxão logo atrás, que é tranquilo, bonito e quase sempre vazio.
O festival medieval de Sighișoara cai tradicionalmente nos últimos dias de julho. Se coincidir com as suas datas, a cidadela fica cheia e maravilhosa, e todas as camas a uma distância a pé desaparecem — confirme as datas e reserve em conformidade, seja para apanhar o festival ou para o evitar.
Dia 4 — Descida até Brașov
Caminhe pelas muralhas da cidadela às 8h, antes de chegarem as excursões de um dia, e apanhe depois, a meio da manhã, um comboio para Brașov — cerca de duas horas e meia.
Brașov é o eixo desta viagem. A Piața Sfatului é uma das grandes praças da Europa Central, rodeada por casas de comerciantes em tons pastel, com a Igreja Negra a um canto — um enorme edifício gótico enegrecido que alberga uma conhecida coleção de tapetes anatólios. A Strada Sforii, a poucas ruas dali, tem pouco mais de um metro de largura e demora quatro minutos a percorrer e fotografar.
Suba depois ao Tâmpa, o penhasco arborizado mesmo atrás da praça. Há um teleférico, e há também um trilho em ziguezague que demora cerca de uma hora a pé, à sombra. Do topo, vê-se todo o traçado medieval das ruas lá em baixo, com os Cárpatos a abrirem-se atrás. Faça-o ao início da noite, quando a rocha já parou de irradiar calor.
Dia 5 — Bran ou a montanha, e depois a corrida até Bucareste
Os autocarros para Bran saem da Autogara 2 de Brașov aproximadamente de meia em meia hora e demoram cerca de 40 minutos. O Castelo de Bran é uma bela fortaleza com uma ligação muito ténue a Vlad Țepeș e uma ainda mais ténue ao romance de Bram Stoker, e a partir das 11h já é uma fila. A fortaleza de Râșnov, na mesma estrada, é mais tranquila, mais barata e tem vistas melhores. Se os castelos não forem o ponto forte da sua viagem, apanhe antes o autocarro até Poiana Brașov e passe a manhã a caminhar por um trilho marcado acima dos 1000 m.
De volta a Brașov, apanhe um comboio a meio da tarde para Bucareste: cerca de duas horas e meia a três horas pelo Vale do Prahova, o troço ferroviário mais bonito do país. Para em Sinaia, onde o Castelo de Peleș fica a quinze minutos a subir a partir da plataforma — uma paragem plausível se começar o dia cedo o suficiente, embora feche pelo menos um dia por semana, por isso confirme antes de planear o dia à volta disso.
A Gara de Nord de Bucareste tem uma ligação ferroviária ao aeroporto principal que demora bem menos de uma hora, o que elimina a última negociação de táxi da viagem. Se tiver um voo ao final do dia, a cidade velha fica a quinze minutos a pé da estação e vale a pena essa hora.
Fazer a mala para dois climas numa só mochila
Esta rota oscila entre 35 °C em Bucareste, uma mina de sal a 12 °C e uma crista fresca a 1000 m, e vai carregar tudo consigo por muitas escadas acima.
- Uma camada intermédia quente cobre a mina, a montanha e o final da noite em Brașov. Vai usá-la todos os dias.
- Calçado próprio para trilhos, não sandálias. O Tâmpa e o desfiladeiro são caminhos a sério.
- Capacidade para dois litros de água. A água da torneira nas cidades é tratada segundo as normas da UE; encha a garrafa e siga em frente.
- Se conseguir, leve tudo dentro do item pessoal gratuito — a mala pequena gratuita da Ryanair é 40x20x25 cm, a da Wizz Air é 40x30x20 cm e a da easyJet é 45x36x20 cm, por isso fazer a mala para a mais pequena destas medidas mantém as três opções em aberto. É exatamente para esta viagem que a nossa mochila de compressão foi feita, mas qualquer mochila que consiga carregar por uma escadaria de cidadela acima serve perfeitamente.
Os detalhes práticos
- Dinheiro: só lei. Os cartões funcionam em quase todo o lado, incluindo em muitos autocarros. Se a máquina de pagamento oferecer cobrar em euros, recuse e pague em lei.
- Comboios: o InterRegio é a classe mais rápida; o Regio para em todo o lado. A segunda classe é perfeitamente aceitável. Atrasos de 15 a 30 minutos são normais, por isso não planeie um comboio que o deixe no aeroporto com apenas 90 minutos de folga.
- Língua: romeno, com o húngaro muito falado em Cluj e bastante inglês por parte de quem tem menos de 40 anos.
- Calor: as cidades do planalto são quentes mas suportáveis; Bucareste, no final de julho, pode chegar perto dos 40 °C. Visite a capital de manhã cedo ou ao fim do dia, nunca às 15h.
Para ideias de rotas para além desta, o site do turismo nacional em romaniatourism.com é um bom ponto de partida — as igrejas fortificadas saxãs de Viscri e Biertan são a extensão óbvia se conseguir acrescentar um sexto dia.
Voe leve. Zero taxas de bagagem.
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