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Fazer as malas8 min de leitura

O Orçamento do Volume: As Quatro Coisas que Comem Metade da Sua Bagagem de Mão

A sua mala grátis é uma caixa medida em litros, não uma lista de artigos. Eis as quatro coisas que discretamente consomem metade dela — e como reduzir cada uma.

Vista de cima de roupa de verão enrolada, sapatos rasos, uma bolsa de higiene e uma mochila de viagem compacta dispostas num chão de madeira iluminado pelo sol.

A maior parte dos conselhos sobre como fazer a mala diz-lhe o que deixar em casa. Esse é o lado errado do problema. Nenhum agente de embarque jamais contou as suas t-shirts. O que se mede é um retângulo: se a mala cabe no medidor metálico e, nalgumas companhias aéreas, quanto pesa. Tudo o resto é consigo.

Portanto, faça a mala como a regra está escrita. Deixe de pensar em artigos e comece a pensar em litros. Assim que o fizer, algo óbvio salta à vista: um punhado de objetos consome metade do seu limite, e as outras trinta coisas com que se atormenta quase não pesam na conta. Seis t-shirts ocupam cerca de três litros. Um par de sapatilhas ocupa quatro. Resolva os quatro grandes vilões e o resto da mala arruma-se sozinho.

O seu limite é uma caixa, não uma mala

Multiplique as três dimensões publicadas e obtém o orçamento real com que está a trabalhar.

CompanhiaMalaDimensõesVolume
RyanairMala pequena grátis (debaixo do banco)40 x 20 x 25 cm20 litros
Wizz AirItem pessoal grátis40 x 30 x 20 cm24 litros
easyJetMala de cabine pequena grátis45 x 36 x 20 cm32 litros
RyanairMala de cabine Priority 10 kg55 x 40 x 20 cm44 litros
Wizz AirTrolley WIZZ Priority 10 kg55 x 40 x 23 cm50 litros

Estes são tamanhos publicados, e mudam — a easyJet alterou o tamanho da sua mala grátis nos últimos anos, os limites de peso variam consoante a companhia e por vezes consoante a tarifa, e todas as transportadoras reservam o direito de os alterar. Confirme a política atual da companhia nas suas páginas de ajuda antes de reservar, não no portão de embarque. Se quiser um enquadramento geral sobre como os limites de bagagem estão estruturados entre companhias, o resumo da Wikipedia é um bom ponto de partida.

A conclusão útil: a mala grátis da Ryanair tem 20 litros. Isso equivale, grosso modo, a duas caixas de sapatos grandes. Tudo o que se segue é sobre defender esses 20 litros de quatro ladrões específicos.

Vilão um: os sapatos

Os sapatos são, de longe, a coisa mais cara que pode meter numa mala pequena — e não há comparação possível. Meça a caixa em que vem um par de sapatilhas: para um EU 43 de homem, cerca de 33 x 21 x 12 cm, uns oito litros. Achatado e arrumado sem a caixa, um par ainda come entre quatro e cinco litros. Isso é um quarto do item pessoal da Ryanair para um único objeto que vai usar talvez dois dias da viagem.

A solução é aritmética, não força de vontade.

  • Use sempre o par mais volumoso no aeroporto. Sapatos calçados custam zero litros e zero gramas. Se vai levar botas ou sapatilhas robustas no final de agosto para um dia de montanha, elas vão nos pés no check-in.
  • Leve, no máximo, um par sobresselente, e que seja o mais rasteiro. Sandálias, alpargatas ou ténis finos ocupam um a dois litros. Um segundo par de sapatilhas é um luxo que lhe custa uma muda de roupa inteira.
  • Nunca arrume um sapato vazio. Meias, roupa interior, carregador, estojo dos óculos de sol — o espaço vazio dentro de um sapato são entre um e dois litros de armazenamento grátis, e enchê-lo também impede que o sapato se deforme e desperdice espaço à sua volta.
  • Arrume os sapatos com as solas viradas para fora, encostados à parede da mala. Os sapatos são o único artigo rígido que possui; use-os como estrutura em vez de os deixar a flutuar no meio da mala.

Vilão dois: a camada exterior

Um hoodie de algodão comprime-se para seis ou sete litros e pesa 600 gramas ou mais. Um corta-vento técnico fino ou uma camada leve de penas comprime-se para um ou dois litros, a um terço do peso. No final de agosto, na Europa, essa diferença conta mais do que parece: pode estar a 33°C em Sevilha e a 11°C às 6 da manhã no início de um trilho nos Tatras, na mesma semana.

Três hábitos resolvem isto:

  1. Use a sua camada mais quente até ao aeroporto. As cabines são frescas, as partidas de madrugada são genuinamente frias, e a roupa que traz vestida está isenta de qualquer limite de bagagem na aviação comercial.
  2. Escolha uma camada que faça dois trabalhos — corta-vento e resistente à chuva vence sempre um forro polar mais um casaco de chuva.
  3. Use a camada como material de embalagem. Um casaco enfiado no bolso exterior da mala ou enrolado à volta de objetos frágeis é um acolchoamento que já ia carregar de qualquer forma.

Uma promoção honesta e depois de volta ao que é útil: é exatamente este o problema à volta do qual a Ryanwear constrói os seus produtos — uma mochila de compressão dimensionada para voar grátis como item pessoal da Ryanair, um casaco de arrumação que transporta a sua própria carga, e uma almofada de pescoço de compressão que deixa de ser um marshmallow de 10 litros. Pode vê-los em /fast-shop. Tudo neste artigo funciona sem comprar nada.

Vilão três: ganga e algodão pesado

Um par de jeans pesa entre 500 e 700 gramas e enrola-se para três ou quatro litros. Calças de linho ou sintéticas leves pesam metade disso e enrolam-se para um litro e meio. A ganga também tem o pior tempo de secagem de tudo o que vai levar na viagem — molhe um par num lavatório e está a contar com 24 horas ou mais, o que sabota discretamente qualquer sistema de lavar à medida que viaja.

A regra que funciona: no máximo umas calças pesadas, e essas usa-as no avião. Tudo o resto que arrumar na categoria das calças deve ser leve, de secagem rápida e suficientemente neutro para usar duas vezes.

A mesma lógica aplica-se às toalhas. Uma toalha de banho normal são quatro litros do seu limite e fica húmida durante um dia. Uma toalha fina de microfibra ou estilo hammam fica abaixo de um litro e seca em poucas horas numa varanda.

Vilão quatro: os líquidos

O limite de segurança — recipientes de 100 ml ou menos, todos juntos num único saco transparente reselável de cerca de um litro — é invulgar porque limita o volume diretamente. Esse saco de um litro é cinco por cento de um item pessoal da Ryanair antes sequer de ter arrumado uma única meia.

Alguns aeroportos com scanners de TC mais recentes já flexibilizaram a regra, depois reinstauraram-na, e voltaram a flexibilizá-la. Não planeie a mala à volta da versão flexibilizada: arrume segundo o padrão estrito de 100 ml e trate qualquer exceção como um bónus. Confirme as orientações atuais do aeroporto específico se estiver a levar algo que não pode substituir.

O que realmente reduz o volume da mala:

  • Champô e sabonete em barra sólida não são líquidos e não entram sequer no saco.
  • Pastilhas de pasta de dentes, desodorizantes em stick e protetores solares em stick saem todos do limite de líquidos.
  • Transfira para frascos pequenos em vez de comprar tamanhos de viagem — um frasco de 30 ml do seu próprio champô chega para uma semana, e 30 ml ocupam um terço do espaço de um de 100 ml.
  • Deixe um espaço de 100 ml vazio na ida. Vai acabar por comprar alguma coisa.

Um orçamento de 20 litros na prática: uma semana, final de agosto

Usados no aeroporto e, por isso, grátis: os sapatos mais pesados, um par de calças compridas, uma camisa, a camada exterior.

Na malaLitros
Sapatos rasos ou sandálias sobresselentes2.0
Cinco partes de cima2.5
Um par de calções ou calças leves1.5
Sete roupas interiores, quatro meias2.0
Fato de banho mais toalha fina1.5
Camada intermédia leve1.5
Saco de líquidos1.0
Cabos, adaptador, bateria portátil1.0
Documentos, carteira, livro1.0
Folga deliberada6.0

Essa folga não é desperdício. É onde vivem a garrafa de água, a sandes do aeroporto, a camisola que tira às 14h e a coisa que compra no quarto dia. Uma mala arrumada a 100 por cento na ida falha o medidor na volta.

A viagem de volta é a que apanha as pessoas desprevenidas

Na ida, arruma a mala com calma em casa, com uma superfície plana e tempo. Na volta, arruma-a às 5 da manhã num hostel, com o fato de banho ainda húmido e três peças de cerâmica embrulhadas numa t-shirt. Essa assimetria explica por que quem passou sem problemas na ida acaba por ter a mala despachada à força no portão de embarque na volta.

Contrarie isto deliberadamente:

  • Mantenha os litros de folga referidos acima genuinamente livres.
  • Use na volta as mesmas peças pesadas que usou na ida — os mesmos sapatos, as mesmas calças, o mesmo casaco. É o volume mais barato que alguma vez vai comprar.
  • Torne a arrumar a mala como deve ser na noite anterior, e não ao amanhecer. Enrolado e comprimido ganha a enfiado à pressão por uma margem larga, e enfiado à pressão é o que as 5 da manhã produzem.
  • Se algo estiver molhado, vai num saco fechado bem no topo, não enterrado no meio, onde humedece tudo.

O exercício de cinco minutos antes de sair para o aeroporto

  1. Ponha a mala numa balança de casa de banho se a sua companhia tiver limite de peso. É por andar a adivinhar que uma mala de 12 kg acaba por enfrentar uma regra de 10 kg.
  2. Empurre a mala com as mãos até lhe dar a forma do medidor. Se os cantos incharem, redistribua o conteúdo — os medidores penalizam a forma, não o volume médio.
  3. Esvazie os bolsos exteriores de qualquer coisa rígida. Garrafas de água e guarda-chuvas enrolados nos bolsos laterais são a razão mais comum para que uma mala que seria legal fique encravada na estrutura do medidor.
  4. Confirme que o saco dos líquidos fecha sem forçar.
  5. Calce os sapatos, vista as calças e o casaco que decidiu usar. Depois, saia.

Arrumar bem a mala não é uma questão de possuir menos. É saber quais são os quatro objetos que estão a gastar os seus litros, e obrigar cada um deles a merecer o seu lugar.

Voe leve. Zero taxas de bagagem.

O equipamento por trás deste blog — com o tamanho certo para viajar grátis na Ryanair, Wizz Air e afins.

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